Eu nunca fui de falar sobre a gente. Porque ”a gente” nunca existiu. Nós fomos aquele amor-jamais-consumido. Tudo o que nós fomos se resume num “quase”. Um quase casal. Um quase que rendeu tanta história e sentimento. Bom, pelo menos pra mim. Eu não acredito que você fale da gente pra alguém. Mas sei que você nunca me esqueceu. Creio que eu seja um segredo guardado do fundo da gaveta do seu coração. Não tão longe, mas ainda tão perto. Sei que o que foi construído durante aqueles meses se mantém dentro da memória. Não me entenda mal, eu não quero um recomeço contigo. Eu não tenho mais porque voltar.

Não sou mais aquela garota. O tempo muda a gente. O tempo mudou a minha forma de enxergar tudo o que aconteceu. Você sabe bem que nunca fui das mais românticas, mas ainda carrego uma intensidade que pesa no peito. Eu nunca arquitetei muitas histórias à moda de um filme de comédia romântica bem típica de sessão da tarde. Entretanto, você foi a maior delas. A que eu mais quis que não tivesse fim. Eu não sabia que alguém assim poderia existir, digo, uma alma gêmea. Andei fazendo uns cálculos e descobri que encontrar outra será muito difícil. Mas precisamente uma pessoa a cada 10 mil até os meus 60 anos.

A forma despretensiosa como surgiu todo o sentimento que de tão grande até hoje não consigo definir. Na verdade, você foi o mais perto de amar pra mim. É que depois de você, eu jamais consegui sentir o mesmo por alguém. Eu nunca mais esperei com tanta ansiedade uma mensagem chegar ao meu celular como esperava as suas. Eu nunca mais conversei sobre as teorias mais loucas que achava que ninguém ia querer ouvir, aquelas que você atribuía ideias pra complementar. Nunca mais tive aquela sede por se estar com alguém e fome que eu tinha sobre o seu corpo.

Sabe, depois do fim, eu me torturei tanto pelo “E se”. E se eu tivesse dito que queria ser mais que sua amiga?  E se tivesse falado tudo o que eu sentia antes de te ver com outra pessoa?  E se nós fôssemos menos imaturos? E se a gente tivesse se visto no fim daquela tarde? Você tentaria esconder que sentia o mesmo? Ou gritaria que também me amava, como disse que faria se não fosse tarde demais? E se a gente tivesse ficado juntos? Será que daríamos certo? E se? O “E se” me manteve presa a você por tanto tempo. Quantas noites sem dormir por estar lembrando de nós? Revirando conversas antigas, fotos, e nos momentos de fraqueza e saudade intensa, suas redes sociais.

Você era a pessoa perfeita pra mim. Mas a perfeição não conseguiu manter esse amor vivo. Quando uma história como essa que tinha tudo pra dá certo chega ao fim, nós quebramos. Passamos tanto tempo tentando entender. Acabamos desacreditados. Porque se não deu certo com quem parecia ter nascido pra gente, como funcionará com os outros? Com os outros que não tem os mesmos gostos. Com quem não gosta da nossa série favorita ou quem que nunca leu o nosso livro predileto? Eu sei que isso te atormentou também. Você também deixou rastros em minhas redes sociais em madrugadas onde a dúvida e as saudades batiam a porta.

Hoje eu entendo que pessoa certa se em caixa no nosso mais novo eu. A minha alma gêmea é a mais compatível com a minha essência atual. E você só foi o primeiro amor.

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Sobre o Autor

Tentando sintetizar o mundo em palavras desde 1997. Nasci na cidade maravilhosa, mas sou do mundo. Em constante descontração. Praticante do deboísmo e levantamento de garfo. Protagonista de romances tragicômicos. Colecionadora de sorrisos. Casada com a liberdade. Nômade que deixa rastros em abraços. Mistério que se desfaz depois de uma boa conversa acompanhada de um bom vinho. Em busca de equilíbrio, amor e paz. Tentando chegar ao nirvana do foda-se.

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