Nós fazíamos tanto sentido juntos que era quase impossível imaginar uma vida em que o outro não fizesse parte, e quando isso acontecia, vinha acompanhada de uma angústia por essa possibilidade. Uma dupla não necessariamente sertaneja. Verdadeiros imãs. Inseparáveis até nos separarmos, claro. Onde você se imaginou sem mim?

Mas olha como as coisas mudam, não é? Eu nunca mais achei motivos para te envolver em qualquer plano meu, não parecia certo. Eu te arranquei numa puxada só das minhas expectativas, quase como se rasgasse uma roupa ainda no corpo.
Isso! Expectativa. Essa é a palavra. Talvez eu tivesse esperado muito da pessoa que você não é, ou você alimentou a mim com uma imagem que não te pertencia. Eu queria ações de um sentimento que você nunca teve sem saber que era algo que você desconhecia, me fazendo perceber que eu também.
Aqueles momentos em que você me via rindo de uma hora para a outra sem entender a razão, foram substituídos por olhares fixos e prolongados no vazio, só pensando, refletindo… Tentando achar o motivo de ter sido incapaz de enxergar que eu não era pra você.
Não há mais nada em mim que seja teu. Não existe absolutamente nenhuma parte aqui que é sua. Eu nem posso dizer que você morreu pra mim; na verdade você se matou, com tudo o que você nunca foi e fingia ser. Agora é só caixão e vela pra gente; sem bis, sem choro.

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Sobre o Autor

Iara Oliveira

Pedagoga, leitora nata e aspirante a escritora. Romântica até a última vértebra e amante de terror antigo. Tenho o filme Moulin Rouge como religião e glorifico o Thash Metal dos anos 80. O Diabo de calcinha e com uma caneta na mão.

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