Parece que foi ontem quando ela me disse que estava indo embora. No meio daquela tarde, no ultimo andar do centro cultural, onde pela primeira vez no dia tinha parado e olhado nos meus olhos. Disse que já não era feliz, que aqui não era o lugar dela, e que precisava partir para onde pudesse recomeçar. Sem mim. E aquelas palavras ainda pesam no meu peito. Disse que me amava, mas precisava se reencontrar. Eu só me lembro de me perguntar quando foi que você me tirou dos seus planos pro futuro. Descobri ali que seus sonhos não incluíam mais a mim.

Ela sempre foi dessas mulheres lindas, independentes e que te ganham fácil.  Autoconfiante e de sorriso encantador. Eu já a observava nas sociais que rolavam na casa de amigos em comum. Um dia esbarrei com ela na orla do Guaíba, no fim de tarde, e não me lembro de pensar em algo mais bonito que a luz do sol refletindo nos olhos dela. Ela sorria com os olhos. Tem coisa mais gostosa? Mas naquela mesa na cafeteria, tudo estava frio, inclusive o café. Fazia 12° graus em POA. E não consegui dizer nada. Nem fica e muito menos adeus.

“Já nem penso mais em ti… Mas será que nunca deixo de lembrar que te esqueci?” Dizia Mario Quintana. Nunca pensei no quanto ela faria sentido pra mim. Sua falta se faz presente e mesmo que eu tente negar, eu nunca mais fui o mesmo sem ti, guria. Eu já não vou aos mesmos lugares. Eu evito até meus amigos porque sei que vão entrar naqueles conselhos clichês de “você vai encontrar alguém melhor logo”. Hoje tomo café com açúcar na tentativa falha de adoçar minha vida desde a sua partida.

São Paulo. 1137 km de distancia de mim. Do que nós fomos. Você está feliz?  Se sente completa?  Encontrou o seu lugar? E um amor? Ouvi dizer que não existe amor em SP. Espero que tenha conseguido aquilo que queria pra sua ida não ter sido em vão.  Pra dar ao menos um sentido a minha dor. Eu? Vim dizer que caso não tenha encontrado o que procurava, volte. Há um lar no meu peito pra você. Eu coloco a água pra ferver no bule se você quiser um café ou talvez um chimarrão. Juro que não vou perguntar muito.  Eu faço o jantar e lavo a louça. Prometo até ser mais pontual. Pego o cobertor e fico ali contigo, mas não vou dormir. Porque se lembro bem você parece um anjo quando dorme e não quero perder um segundo disso! Eu pararia até de fumar. Juro que arrumo a bagunça que sou só pra que você não precise buscar a felicidade em outro lugar.

Olho pro celular, respiro, e cancelo a mensagem. Porque agora tudo é em vão. Eu deveria ter rasgado o meu peito e gritado o quanto eu te amava ao invés do silêncio que foi o maior protagonista. È tarde, não posso mudar o passado. Já são 3 horas da madrugada e eu me alimento de lembranças cada vez mais falhas de você. Vou sobrevivendo com o pouco que resta de ti. Hoje é só mais uma noite em que me agarro a essas projeções de você pra me sentir menos só. Okay! Eu sei que fez o certo em ir, e em correr atrás dos seus sonhos. Me cobro e torturo. Pois sei que não te dei o meu melhor. Hoje chove mais aqui dentro de mim do que lá fora. Faço uma prece, peço pra que o tempo passe até acabar com esse inverno aqui no meu interior ou pra que no meio da Av. Paulista você perceba que existe amor aqui pra você e a que felicidade tem meu nome.

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Sobre o Autor

Tentando sintetizar o mundo em palavras desde 1997. Nasci na cidade maravilhosa, mas sou do mundo. Em constante descontração. Praticante do deboísmo e levantamento de garfo. Protagonista de romances tragicômicos. Colecionadora de sorrisos. Casada com a liberdade. Nômade que deixa rastros em abraços. Mistério que se desfaz depois de uma boa conversa acompanhada de um bom vinho. Em busca de equilíbrio, amor e paz. Tentando chegar ao nirvana do foda-se.

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