Você pode ler isso ao som: 

Uma corrente de energia que percorre todo o corpo. Um fluxo de pensamentos surreal e incansável. Uma alma inquieta que clama por sossego, mas o sossego assusta. Assusta pelo medo de ficar sozinho com os nossos próprios pensamentos. Temos energia, porém estamos constantemente cansados. Cansados demais pra sair da cama. Encontramos abrigo na prisão que chamamos de quarto. Uma agonia no peito, um aperto e uma respiração ofegante. Sufocados pelos próprios medos. Uma preocupação persistente, mas irreal, que não está associada com nada em particular. Não sabemos de onde ela vem, mas sentimos sua onipresença. Um barulho ensurdecedor dentro cabeça que não te deixa ter concentração em nada. Uma música em volume alto pra abafar o que se passa dentro de si. Variando entre uma música calma, numa tentativa desesperada de se tranquilizar, e uma agitada que acompanhe esse fluxo infernal dentro de você. Insônia que se faz tão presente. Uma raiva ilógica. Um coração que grita num pulsar descontrolável. Um dia maltratado por pequenas ansiedades.

Pare, respire fundo. 1, 2, 3…Do it again.

Podemos resumir todas as situações acima em uma única palavra: Ansiedade. O mal do século, segundo alguns especialistas, afetando em sua maioria jovens entre 19 a 25 anos. Ao ler sobre isso outro dia, comecei a me questionar o porquê estamos mais vulneráveis a esse mal. Não é preciso ir muito longe pra encontrar as respostas. A
transição pra vida adulta não é nem um pouco fácil. A ansiedade é caracterizada pelo excesso de futuro. Carregamos dúvidas sobre nossa vida acadêmica e profissional. Trazemos o medo das frustrações. Mascaramos o medo da crítica e da rejeição. Escondemo-nos atrás de sorrisos pra não ter que explicar aqueles sentimentos que nem conseguimos compreender. Nos entorpecemos na tentativa falha de nos livrar desses problemas. Compramos coisas pra preencher nossos vazios. E nenhuma das duas opções anteriores tem efeito duradouro. Entramos em relacionamentos pra nos
sentimos completos, quando já deveríamos ser, e só estar aguardando um alguém que apenas complemente. Nenhuma traz o tão almejado sucesso que queremos. Entramos numa corrida desesperada e nem percebemos que é contra nós mesmos. Olhamos para os nossos pais e nos comparamos. “Pois na nossa idade, eles já eram muito mais bem sucedidos que nós”, e acabamos nos sentindo inúteis. Nos tornamos obsessivos em conseguir algo que nem sabemos o que é, mas já nos corrói tanto.

Precisamos parar de nos sabotar. Não se cobre tanto assim. Lembre-se que existe uma criança dentro de você que merece cuidados. E pense bem, você não diria a uma criança todos esses pensamentos negativos, diria? Não lhe privaria de ter esperança, não é? Você não está atrasado. As coisas acontecem quando você tem maturidade pra começar a gerenciá-las. E mesmo que algo dê errado, posso lhe garantir, tudo se encaixa. Não se torture. Entenda que todos temos nossas fragilidades, e pedir ajuda é o ato mais corajoso que você pode ter. Não adie uma alegria. Se tudo ficar pesado, respira, aguenta firme, pois significa que ainda não terminou. Quando somos jovens tudo é o fim do mundo. Mas a vida é sucessão de fins do mundo, e nós já sobrevivemos há tantos outros na manhã seguinte, que ainda podemos fazer muito mais.

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Sobre o Autor

Tentando sintetizar o mundo em palavras desde 1997. Nasci na cidade maravilhosa, mas sou do mundo. Em constante descontração. Praticante do deboísmo e levantamento de garfo. Protagonista de romances tragicômicos. Colecionadora de sorrisos. Casada com a liberdade. Nômade que deixa rastros em abraços. Mistério que se desfaz depois de uma boa conversa acompanhada de um bom vinho. Em busca de equilíbrio, amor e paz. Tentando chegar ao nirvana do foda-se.

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