Quando a minha boca arde, quando minhas pálpebras abrem e fecham em total colapso e a minha retina é incapaz de capturar imagem alguma, quando o meu pescoço obedece outra cabeça, quando minhas pernas esquecem de me segurar, quando os meus ombros pendem pra atrás e os meus braços anseiam por estarem presos, a minha mão toma o meu corpo como se fosse outro.

É nessas horas que eu sei que foi mais que um momento seu em mim, seu corpo me tomou de alma, porque é muito mais que desejo, é uma precisão de você está em mim. É como se meu corpo fosse o deserto clamando por água e você a chuva que os meteorologistas seriam incapazes de prever.

Eu quero que a tua mão controle as contorções do meu abdome, que seu ar quente me lembre para que cada parte do minha carne serve. Que a sua saliva me sirva de combustível para o que as minhas mãos querem percorrer, quero tuas costas me ensinando o que é estar calma com 39 graus.

É muito mais que corpo: a minha alma, sedenta, ferve sem você em mim e vai entendendo o que a carne pede e, então, clama, também, por você em mim. Seria loucura não ceder quando todo o teu ser te pressiona, te impulsiona a calar e permitir.

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Sobre o Autor

Nascida sob a lua de Teresina, quando o sol estava em Leão, há 20 voltas solares, May é uma estudante de letras-português que escolheu literatura e tem uma compulsão por livros de fantasia e poesia, mas que ler o “Curso de Linguística Geral” pra passar o tempo. E que fique claro que o seu corpo apenas vegeta na Via Láctea, sua alma está em Nárnia.

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