Eu tenho um bocado de problemas internos mal resolvidos e fico aí cobrando perfeições no outro antes de me envolver. Eu boicoto qualquer possível relacionamento, sempre tentando me convencer que amo a liberdade, minha solidão e o viver loucamente. Mentira! Eu tenho é um puta medo de me jogar. Eu sei que não devia. Já li tudo sobre se permitir e todo esse papo que as pessoas felizes em relacionamentos escrevem. Eu acredito! Me emociono e acho tudo lindo, mas na prática dá um cagaço do caralho toda vez que passo mais de três semanas com alguém. Aí começo a procurar defeitos. “Ela é grudenta demais”, “fria demais”, “fala muito”, “fala pouco”. Aí me afasto. Na minha insignificância, ignoro os meus vários defeitos e medos, transmitindo a culpa para o outro. Disfarço minha covardia no flerte com a solidão. Sou bom demais para assumir minhas falhas e admitir que eu não estou pronto para um relacionamento sério e duradouro, cheio de descobertas, novidades e carinho. Vou levando a minha mediocridade com a barriga, empurrando para os outros minha responsabilidade. Me contento com mini conquistas, beijos rápidos e sexo feito por fazer! Me amparo na desculpa esfarrapada que “enjoo fácil dos outros”, “ninguém vale a pena”, “no mundo de hoje ninguém presta… só eu”. No meu mundo, mudo e solitário, bato no peito e digo que não preciso de ninguém. Sou bom demais para me envolver. E acabo não me envolvendo. O tempo vai passando, as pessoas vão seguindo seus caminhos e perco um monte de gente interessante e que poderia acrescentar muita coisa. Me acomodo no copo de vodka com energético e nas músicas que defendem a felicidade em ser solteiro e bem resolvido. Que nada! Ser bem resolvido é se permitir! Mas sou bom demais para assumir que não sei nada sobre a vida. Acendo meu cigarro, ligo minhas músicas e fico sozinho, tentando acreditar que não quero ninguém. Fingindo acreditar que o destino vai colocar alguém no meu caminho. E o destino lá, cansado de colocar alguém no meu caminho e eu desviar. Uma hora ele cansa. E eu também!

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Sobre o Autor

Luiz Felipe Paz, pagodeiro por profissão e amante da música por necessidade. Fã da sinceridade e da vontade de vencer. 27 anos de histórias, momentos e memórias cercadas de amigos. Mineiro, nascido em Uberlândia, sotaque puxado e a tranquilidade de alguém do interior. Disseminador do amor e do bem.

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