Talvez seja isso. Eu só esteja de passagem. Uma hora alguém vai embora sem aviso prévio, ou até avisa, mas quando o barco já está afundando. Uma hora sou eu quem vai embora. Ser a pessoa que vai dói. Tomar a decisão de deixar aquilo que amamos pesa dentro da gente como uma ancora. Ser a pessoa que é deixada é pior ainda. Porque a gente sempre se questiona onde foi que falhamos. Porque acabamos novamente naufragando sozinhos? Eu não fui o suficiente? Se eu sou uma pessoa tão boa como você dizia, porque a despedida? Mergulhei profundamente em todos esses pensamentos após o último ano. Perdi amigos e amores. Deixei algumas pessoas pelo meio do caminho também.

Depois da despedida, tudo roda na sua cabeça como um filme, ocupando horas de sono durante a madrugada. Nesse filme, eu busquei identificar os vilões e os mocinhos. Mas depois de um tempo, percebi que não havia alguém que não tivesse uma parcela mínima de culpa. O maior vilão foi a culpa que depositei em mim. Quando alguém vai embora da sua vida, sem muitas explicações e sem aviso, é como um barco que encontra um iceberg que não pode ser rastreado. Eu errei?  Mas onde foi que eu errei? Eu achei que todos os erros já eram coisa do passado, não eram? Mesmo com as desculpas?

Relações requerem uma fiscalização; uma atenção nos detalhes. Talvez tudo tenha um prazo de validade. E às vezes é tarde demais pra perceber que as coisas estão estragadas. Tarde demais pras desculpas ou promessas de mudança. Tarde demais pra reverter a situação. Eu me culpei tanto que demorei a entender que eu não podia ter feito mais do que fiz. Uma vez alguém disse algo mais ou menos assim: “As pessoas nunca sabem como fazer as coisas da forma certa. Nunca”. Então, pense que talvez por mais que eu tenha falhado contigo, saiba que foi na intenção de te fazer bem, acima de tudo. Eu me perdoei pelos erros que cometi com quem amei. E os perdoei também. Foi necessário entender que nem todos erram de propósito, assim como me faltou maturidade em algum momento, o mesmo aconteceu com eles.

Todas as coisas por medo de estragar a relação, se acumularam, e uma hora tudo explodiu. Eu explodi e eles também. Pessoas são ciclos que se fecham, e é necessário parar quando a relação não te beneficia mais. Elas passam pela sua vida, causam bons momentos, te ensinam algo e se vão. Eu vou. Talvez num futuro nos encontremos com coração e olhar mais maduros, onde nada seja tóxico. Mas por enquanto, o ciclo morre aqui. E eu me vejo diante do tumulo, e deixo estas minhas memórias póstumas. Eu amo as histórias que vivi ao lado de cada um, porém amo mais ainda quem me tornei após todos os que passaram por aqui. Porque, agora, eu me basto. Naufrágio virou sinônimo de recomeço e solidão virou amiga. E por amor a mim, serei sempre o primeiro a pular água, nadando contra a maré, antes que o barco afunde e eu me afogue. Sigo como passageiro na esperança de encontrar um lugar fixo, e se não encontrar, que minhas boas ações permaneçam em seus corações.

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Sobre o Autor

Tentando sintetizar o mundo em palavras desde 1997. Nasci na cidade maravilhosa, mas sou do mundo. Em constante descontração. Praticante do deboísmo e levantamento de garfo. Protagonista de romances tragicômicos. Colecionadora de sorrisos. Casada com a liberdade. Nômade que deixa rastros em abraços. Mistério que se desfaz depois de uma boa conversa acompanhada de um bom vinho. Em busca de equilíbrio, amor e paz. Tentando chegar ao nirvana do foda-se.

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